Primeira fase do Desenrola pode limpar até 2,5 milhões de nomes
Segundo Haddad, número depende de adesão do Nubank ao programa
Segundo Haddad, número depende de adesão do Nubank ao programa
O total de
brasileiros com dívidas de até R$ 100 que terão o nome limpo pode chegar a 2,5
milhões se o banco Nubank aderir ao Desenrola, disse nesta segunda-feira (17) o
ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Segundo ele, a instituição financeira
ainda está decidindo se vai entrar no programa porque tem direito a pouco
crédito presumido, incentivo dado pelo governo aos bancos.
“Tem um banco só
que está em dúvida de adere ou não, porque ele tem pouca vantagem no crédito
presumido e tem 1 milhão de pessoas negativadas: o Nubank. Estamos aguardando.
Se eles aderirem, serão 2,5 milhões de CPFs [com o nome limpo]”, disse Haddad.
O Ministério da Fazenda fornecerá um balanço das adesões apenas nos próximos
dias.
Na primeira fase do
Desenrola, que entrou em vigor nesta segunda-feira, as instituições financeiras
limpam o nome das pessoas com débitos de até R$ 100 vencidos até 31 de dezembro
do ano passado. A dívida não é perdoada. Apenas o devedor deixa de ficar com o
nome sujo e pode contrair novos empréstimos e fazer operações como fechar
contratos de aluguel.
Sem a participação
do Nubank, o número de pessoas físicas que poderão ter o nome limpo até o fim
do mês chegaria a 1,5 milhão, informou o assessor especial da Secretaria de
Reformas Econômicas Alexandre Ferreira. Ele lembrou que a retirada das dívidas
de até R$ 100 do cadastro negativo é condição obrigatória para as instituições
financeiras que aderirem ao Desenrola.
“Essa dívida [de
até R$ 100] não poderá voltar a ser negativada. O efeito da negativação na vida
do devedor cai naquele momento, como restrições para fazer contrato de aluguel
e comprar com carnê. A dívida continua [crescendo] em termos contábeis, mas tem
a negativação definitivamente suspensa naquele momento”, explicou Ferreira.
Crédito presumido
Além da limpeza do
nome de quem tem dívidas de até R$ 100, a primeira fase do Desenrola prevê a
renegociação de débitos com bancos por devedores com renda de até R$ 20 mil. O
Desenrola só abrange dívidas contraídas até 31 de dezembro do ano passado.
Nesta etapa, o
devedor não precisa recorrer ao Portal Gov.br, devendo procurar os canais de
negociação do banco, por atendimento presencial, aplicativo ou site, e
pedir o refinanciamento. A retirada do cadastro negativo de quem deve até R$
100 é automática e não precisa ser pedida.
O incentivo para
que as instituições financeiras participem da primeira fase se dá por meio de
da antecipação de créditos presumidos. Para cada R$ 1 de desconto concedido aos
devedores, a instituição financeira lança R$ 1 de crédito presumido no balanço.
Segundo Haddad, o
governo está oferecendo até R$ 50 bilhões em antecipação de crédito tributário
aos bancos. “Liberamos R$ 50 bilhões [em crédito presumido] para que o setor
bancário faça as renegociações no sistema de balanço financeiro. O estímulo
para o banco é ter o valor da renegociação como crédito presumido com o
governo. Se o desconto para a pessoa for de R$ 7 mil, o crédito para o banco
será de R$ 7 mil”, explicou o ministro.
Faixas
O Desenrola tem
duas faixas de devedores. A faixa 2, que entrou em vigor nesta segunda-feira,
abrange as renegociações de débitos com bancos para quem tem renda de até R$ 20
mil sem limite de valor de dívidas, o que permite o refinanciamento de imóveis
e de veículos, por exemplo.
Prevista para ser
lançada em setembro, a faixa 1 abrange devedores inscritos no Cadastro Único
para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico) ou de renda mensal até
dois salários mínimos com débitos de até R$ 5 mil com empresas de fora do
sistema financeiro. A categoria abrange concessionárias de água, energia e gás
e crediário em comércio.
As renegociações
para a faixa 1 só poderão começar após o lançamento da plataforma de
negociação, que só poderá ser acessada por quem tiver conta no Portal Gov.br
nível prata ou ouro. Nessa etapa, haverá uma espécie de leilão na plataforma.
As empresas que oferecerem maiores descontos receberão recursos do Fundo
Garantidor de Operações (FGO), do Tesouro Nacional.
Segundo Haddad, para limpar o nome dos devedores da faixa 1, com renda o Tesouro Nacional gastará R$ 7,5 bilhões do FGO. Esse valor, ressaltou o ministro, permitirá a renegociação de até R$ 30 bilhões em dívidas na segunda etapa do programa.
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